10 informações que as pessoas com autismo gostariam que você soubesse.

Entender como os indivíduos que têm autismo enxergam o mundo é uma forma de romper barreiras e preconceitos


1 – Não são todos iguais

O que se chama de autismo é, na verdade, uma gama de diagnósticos englobadas no Transtorno do Espectro Autista (TEA). Todos eles têm em comum a dificuldade no relacionamento social e os interesses restritos específicos desde o início da vida.

“Se a pessoa estiver em uma das extremidades (a mais leve) desse espectro ela pode praticamente não apresentar sintomas, apenas ser considerada diferente ou se sentir diferente das outras”, explica Fernando Mitsuo Sumiya, psiquiatra da Infância e Adolescência do Ambulatório de Diagnóstico da APAE de São Paulo.

2 – Não são insensíveis

As dificuldades no relacionamento social podem estar ligadas à fama de insensibilidade das pessoas com autismo. Mas isso não é verdade. O fato é que essas pessoas podem ter formas diferentes de expressar sentimentos.

3 – Não tem necessariamente deficiência intelectual

O autismo pode aparecer em uma pessoa junto com outros transtornos. A deficiência intelectual é uma delas, e atinge uma parte dos autistas. Mesmo que essa parcela pareça alta, nem pense em estereotipar os autistas assim. A deficiência intelectual é mais um conjunto de sintomas amplo, e as dificuldades podem ser inúmeras.

Além disso, é importante lembrar que até as dificuldades típicas que podem aparecer na maioria dos autistas – como a questão dos relacionamentos, por exemplo, são tratáveis. Portanto, esses sintomas podem ser amenizados durante a vida.

4 – Não necessariamente são um gênio

Não é difícil ouvir exemplos de pessoas com autismo que têm habilidades que impressionam a quem está em volta. Resolver problemas matemáticos difíceis ou falar várias línguas estão entre as coisas que podem tornar autistas ícones, assunto para bate-papos ou até tema de obras cinematográficas.

Essas habilidades podem ser decorrentes da forma como a mente dos autistas funciona. Uma característica que pode ajudar é, por exemplo, o hiperfoco, que consiste em um jeito intenso de se concentrar em um tema, tópico ou tarefa.

No entanto, acreditar que todos os autistas têm inteligência excepcional não é bem-vindo.

5 – Também tem amigos!

Essa crença de que pessoas com autismo não têm amigos pode atrapalhar tanto no momento de diagnosticar quanto no relacionamento interpessoal. Isso porque é muito comum a sociedade evitar o contato social com pessoas autistas por acharem que elas não têm amigos

6 – Não estão em num mundo à parte

Ao contrário, autistas estão no mesmo mundo em que os neurotípicos (como se chamam pessoas que não estão no espectro do autismo ou de outro transtorno psiquiátrico). A diferença é que as interações entre estas duas esferas podem não ser tão óbvias assim.

7 – Podem fazer movimentos diferentes

Existe uma marca bem comum entre pessoas com autismo: as estereotipias motoras.

“Estereotipias são movimentos repetitivos como balançar o tronco, chacoalhar as mãos. Em geral, as estereotipias servem para que a criança se autorregule. É muito parecido com aquela pessoa que rói a unha o tempo todo porque está ansiosa e isso reduz a ansiedade. Quando a criança não consegue se expressar de maneira apropriada ela encontra maneiras de se autorregular”, explica o psiquiatra Fernando Mitsuo Sumiya.

8 – Podem repetir sons

Outra característica que pode aparecer entre pessoas com autismo é a ecolalia, que consiste na repetição de frases em diferentes contextos.

O psiquiatra Fernando ressalta que a ecolalia também é sintoma de outros transtornos e, por isso, deve ser avaliada.

9 – Não é qualquer barulho que atrapalha

Autistas sentem o mundo de uma maneira diferente das pessoas neurotípicas. É o que se chama de atipicidade sensorial. Por isso, não faz sentido afirmar que eles não gostam de barulhos, necessariamente.

Cada pessoa tem certas sensibilidades diferentes das outras.

10 – Nem sempre são diagnosticados

É possível que uma pessoa adulta tenha autismo e não saiba? Sim, já que o espectro abrange formas do autismo com sintomas mais brandos.

No entanto, o diagnóstico precoce é importante para que as equipes realizem as intervenções necessárias.

“Lembra, quando a gente era criança, a gente caia e ralava o joelho? Nosso joelho ralado melhorava mais rápido que hoje! Da mesma forma o cérebro das crianças tem uma maior facilidade de realizar ligações e conexões. Chamamos essa capacidade de neuroplasticidade. Quanto mais precoce for a estimulação e a intervenção, maiores são as chances da criança em qualquer grau terem a oportunidade de ter um melhor funcionamento”, detalha o psiquiatra Fernando.

Escrito por: Lara Deus – Redação Minha Vida | Fonte: https://www.minhavida.com.br/

 

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